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Hospital de Corbélia é acusado de recusar atendimento a vítima de acidente
12/06/2013 08:22:20
 
 
 

 

Fonte Goionews                                    

O Ministério Público do Paraná está investigando a morte de um professor vítima de um acidente em uma estrada rural de Braganey, no oeste do Paraná, ocorrido na quinta-feira, 6. Como não há hospital na cidade, Marcos Sasse, de 26 anos, foi levado para o Hospital Santa Simone, em Corbélia, mas o atendimento foi recusado, conforme afirmou o enfermeiro da secretaria de Saúde de Braganey Sebastião Costa Alves. O professor acabou morrendo.                           

Segundo o enfermeiro que acompanhou a vítima na ambulância, o rapaz precisava ser estabilizado, mas o médico, que também é dono do hospital, não avaliou o estado da vítima. “Eles se alteraram bastante, dizendo que eles não tinham nada a ver com pacientes de Braganey, que o paciente de Braganey tem que ser encaminhado para Nova Aurora porque nosso hospital de referência é Nova Aurora. Eu disse: ‘doutor, eu não posso sair com esse paciente daqui para Nova Aurora porque é um caso de fratura exposta, e fratura exposta é risco de vida para o paciente, pois ele tem que ser operado’. (...) Ele até riu da minha cara dizendo que uma perna quebrada não era risco de vida para o paciente”, explicou.                              

Depois de ter percorrido 23 km de Braganey até Corbélia, a ambulância seguiu mais 38 km até Nova Aurora, onde fica o hospital de referência de Braganey. Lá, o paciente foi estabilizado, mas pela gravidade dos ferimentos, foi encaminhada a Cascavel. Contudo, antes de chegar à cidade, ele não resistiu aos ferimentos e morreu dentro da ambulância, três horas após o acidente.                                 

O advogado do hospital negou que tenha havido negligência e disse que o paciente foi avaliado dentro da ambulância. Para ele, colocar o rapaz dentro do hospital seria "perda de tempo". “Reduzir fratura, no hospital de Corbélia fraturas expostas, operar o abdômen no hospital de Corbélia, operar o tórax no hospital de Corbélia, talvez uma neurocirurgia no hospital de Corbélia. É inviável. O que ele chama de medicar o paciente? O que ele chama de medicar é atrasar”, argumentou o advogado Jorge Trannin.                                     

A família do rapaz afirmou que quer Justiça. "O básico que eles deveriam fazer, cumprir com o juramento da medicina deles, que é salvar vidas, eles não fizeram. Nesse momento, não importa se era SUS ou se era particular. Eu venderia tudo para salvar a vida do meu irmão", lamentou o irmão da vítima Marcelo Sasse.                           

A 10ª Regional de Saúde de Cascavel informou na tarde de segunda-feira, 10, que na vai se reunir com a equipe da secretaria de Saúde de Braganey para definir como vai ficar o atendimento na cidade. Um levantamento deve ser encaminhado ao Ministério Público e ao Conselho Regional de Medicina. A regional também afirmou que em casos graves, como a do professor, o hospital credenciado de abrangência deve atender e avaliar imediatamente o paciente, sem recusar.

(Fonte: G1/Paraná).