Suspeito teria prometido vantagens dentro de jogo eletrônico para conseguir vídeos de conteúdo sexual. Durante cumprimento de mandado, um dos investigados se feriu e precisou ser hospitalizado.
A Polícia Civil do Paraná, por meio da Delegacia de Campina da Lagoa, com apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo, deflagrou nesta terça-feira (27) a Operação Game Over, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão relacionados à investigação de crimes praticados contra crianças e adolescentes por meio da internet.
A operação teve início após uma denúncia envolvendo uma criança que teria sido abordada por um indivíduo enquanto participava de partidas de um jogo eletrônico.
Segundo a investigação, o suspeito teria oferecido benefícios virtuais dentro do jogo para convencer a vítima a produzir e enviar vídeos de conteúdo sexual.
As conversas teriam começado durante as partidas e continuado posteriormente por aplicativos de mensagens e redes sociais.
A partir da denúncia, investigadores iniciaram diligências para identificar os responsáveis pelas contas utilizadas nos contatos e reunir provas dos possíveis crimes.
Investigado se fere durante cumprimento de mandado
Durante o cumprimento de um dos mandados de busca e apreensão, um dos investigados pediu autorização aos policiais para tomar um medicamento para pressão arterial.
Na sequência, o homem pegou uma faca de cozinha e provocou um ferimento na região do tórax.
Os policiais acionaram imediatamente o atendimento médico. O investigado foi encaminhado ao hospital, onde permaneceu internado, conforme as informações divulgadas sobre a operação.
Durante as diligências, foram apreendidos aparelhos celulares, notebooks e outros materiais que poderão contribuir para o esclarecimento dos fatos.
Os equipamentos serão submetidos a análises para identificar possíveis provas e auxiliar no andamento da investigação.
Alerta aos pais: o perigo pode estar dentro dos jogos eletrônicos
A Operação Game Over chama a atenção para uma realidade preocupante: pessoas mal-intencionadas podem utilizar jogos eletrônicos, redes sociais e aplicativos de mensagens para se aproximar de crianças e adolescentes.
Muitas vezes, o contato começa como uma conversa aparentemente inofensiva. O criminoso pode se apresentar como outro jogador, oferecer vantagens, moedas virtuais, itens especiais ou outros benefícios para conquistar a confiança da vítima.
Depois, essa aproximação pode evoluir para pedidos de imagens íntimas, ameaças e chantagens.
É importante que pais e responsáveis compreendam que o perigo não está necessariamente no jogo, mas nas pessoas que podem utilizar essas plataformas para cometer crimes.
Em publicação de setembro de 2026, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reforçou que o diálogo familiar, a orientação e o acompanhamento das atividades digitais são fundamentais para prevenir situações de violência.
Como proteger crianças e adolescentes?
A Polícia Civil orienta que pais e responsáveis acompanhem a utilização da internet, especialmente os contatos realizados com pessoas desconhecidas.
Algumas medidas importantes são:
- Conversar frequentemente sobre os jogos e aplicativos utilizados pelos filhos.
- Verificar as configurações de privacidade e os recursos de controle parental.
- Orientar as crianças a nunca enviar imagens íntimas, mesmo diante de promessas ou ameaças.
- Prestar atenção a comportamentos diferentes, medo, isolamento ou resistência em falar sobre contatos virtuais.
- Em caso de suspeita, acolher a vítima, preservar os registros das conversas e procurar as autoridades, sem compartilhar imagens de conteúdo sexual.
Denunciar é proteger
A Polícia Civil reforça que a participação da população é fundamental para combater crimes contra crianças e adolescentes.
Denúncias podem ser encaminhadas de forma anônima pelo telefone 197, da Polícia Civil, ou pelo 181, Disque-Denúncia. Situações de emergência devem ser comunicadas à Polícia Militar pelo 190.
Também é possível denunciar violações de direitos de crianças e adolescentes pelo Disque 100, serviço gratuito que funciona 24 horas por dia.
A investigação continua, e os materiais apreendidos deverão auxiliar a Polícia Civil no esclarecimento dos fatos e na identificação de eventuais outros envolvidos.
A Operação Game Over deixa um alerta importante: acompanhar a vida digital dos filhos também é uma forma de cuidar da segurança deles.
Fonte: Polícia Civil do Paraná — Delegacia de Campina da Lagoa; informações oficiais divulgadas em 27 de outubro de 2026.




















