Por Clodoaldo Bonete – Tribuna do Interior
A Polícia Civil de Campo Mourão concedeu entrevista coletiva
ontem à tarde sobre a morte da jovem Tatiane Jesualdo, 25 anos, de Ubiratã, mas
como o caso corre em segredo de justiça, pouca coisa pode ser esclarecida à
imprensa. O delegado-adjunto da 16ª Subdivisão Policial, Marino Marcelo de
Oliveira, que assumiu a investigação do caso, e o delegado-chefe Amir Roberto
Salmen, receberam a imprensa, mas não fizeram a apresentação do homem preso,
acusado de ser o autor do crime.
A prisão ocorreu na terça-feira e a identidade do suspeito
também ainda não foi divulgada. “Estaremos traçando o seu perfil psicológico no
decorrer do processo e por decisão da justiça, alguns detalhes serão mantidos
sob sigilo, por enquanto”, disse o delegado Oliveira. A polícia chegou até o
suspeito, com base em imagens do momento em que Tatiane entra no carro do
suposto criminoso, enquanto ia para o trabalho.
Os dois trabalhavam na mesma empresa, mas em setores
diferentes. Segundo o delegado, por conta disso a jovem não hesitou em pegar a
carona, já que ambos iam para o mesmo local. “Com essas imagens e com base em
informações de testemunhas, não restou mais dúvidas de seu envolvimento no
desaparecimento da Tatiane. Fomos até o seu local de trabalho e fizemos a
apreensão do carro, o qual foi conduzido por ele mesmo até a delegacia”,
informou.
Ataque cardíaco
Ao ser detido, o homem chegou a negar que tivesse dado carona
para a jovem, mas no mesmo dia mudou a versão, dizendo que tudo não havia
passado de uma fatalidade. “Ele revelou que a vítima morreu de ataque cardíaco
e que até tentou levá-la ao hospital, mas ao perceber que ela estava morta
decidiu se desfazer do corpo na beira do Rio Piquiri. Sobre a motivação, o
rapaz alega que a mulher dizia ter a foto de um carro atolado da empresa, em um
dia em que ele saiu sem autorização. Seu receio era de que essa foto pudesse
comprometê-lo na empresa”, declarou o delegado, evitando repassar mais detalhes
do depoimento do suspeito. Os dois não teriam nenhum relacionamento amoroso.
Outros detalhes chamaram a atenção da polícia no veículo
apreendido. O delegado afirma ter encontrado uma algema no automóvel, além de
outros objetos suspeitos. “São coisas que uma pessoa normal não utiliza”,
resumiu. Ontem à tarde o Corpo de Bombeiros de Campo Mourão iniciou buscas no
rio, nas proximidades onde o corpo teria sido desovado. No entanto, com as
enchentes do final de semana, o trabalho deverá ser bastante dificultado.
“Sabemos que não será fácil, mas o Corpo de Bombeiros de
Campo Mourão tem o apoio de equipes de outras cidades e assim que o corpo for
localizado o IML fará autópsia para que possamos apurar com mais clareza a
causa da morte. Assim poderemos concluir também se as declarações do suspeito
fazem ou não sentido”, completa.
O caso
Tatiane desapareceu no último dia 3, após sair para trabalhar
na empresa Unitá Coopertativa Central de Ubiratã. A família chegou a receber
uma mensagem na manhã do mesmo dia, mas ao ser preso, o suspeito, que era seu
colega de trabalho disse que foi ele que enviou, a pedido da jovem. Por conta
de várias informações desencontradas sobre o caso, a Polícia Civil de Ubiratã
solicitou apoio da 16ª SDP de Campo Mourão.