Será realizado nesta quarta-feira (data), na Comarca de Campina da Lagoa, o julgamento pelo Tribunal do Júri do homem acusado de tentar matar a ex-companheira a golpes de faca. O caso de violência doméstica ocorreu em abril de 2022 e ganhou repercussão pela gravidade dos fatos, pelo histórico de ameaças e pelo descumprimento de decisões judiciais.
O réu responde por tentativa de feminicídio qualificado, conforme decisão da Vara Criminal que o pronunciou para julgamento em plenário. De acordo com os autos, mesmo ciente de medida protetiva de urgência concedida com base na Lei Maria da Penha, o acusado teria ido até a residência da vítima, arrombado a porta do imóvel e iniciado uma sequência de ataques com faca.
Durante a agressão, ele tentou atingir o pescoço da mulher. A morte não se consumou por circunstâncias alheias à sua vontade, uma vez que a vítima conseguiu se defender e fugir para pedir ajuda.
A decisão judicial aponta que o crime foi motivado pelo inconformismo do acusado com o término do relacionamento, caracterizando motivo torpe. Consta ainda que a tentativa de homicídio foi praticada contra mulher por razões da condição de sexo feminino, no contexto de violência doméstica e familiar, o que qualifica o delito como tentativa de feminicídio.
Após os fatos, o acusado fugiu do distrito da culpa e permaneceu foragido por mais de dois anos, sendo localizado e preso posteriormente em outro estado. Diante da gravidade do crime, do risco à integridade física e psicológica da vítima e da evasão comprovada, a Justiça manteve a prisão preventiva do réu até a realização do julgamento.
No plenário do Tribunal do Júri, os jurados irão analisar as provas produzidas ao longo do processo e decidir se houve intenção de matar, se o crime configura tentativa de feminicídio qualificado e, ao final, se o réu deverá ser condenado ou absolvido. O julgamento contará com a atuação do Ministério Público, da defesa e a oitiva de testemunhas, marcando uma etapa decisiva na apuração do caso.