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  Campina da Lagoa cresceu. O sistema elétrico acompanhou esse crescimento?  
  Publicado em 2 de Setembro de 2026  
       
 

 
 
 
Campina da Lagoa cresceu. O sistema elétrico acompanhou esse crescimento?

Quedas e oscilações de energia voltam a levantar questionamentos sobre a capacidade da infraestrutura elétrica que atende o município; crescimento urbano, agronegócio, empresas e novos hábitos de consumo aumentam a importância de investimentos na rede.

As constantes quedas e oscilações de energia elétrica registradas em Campina da Lagoa têm provocado transtornos e levantado uma questão que vai além das interrupções pontuais no fornecimento: a infraestrutura elétrica que atende o município acompanhou o crescimento da cidade e o aumento da demanda por energia?

A pergunta é importante porque Campina da Lagoa de hoje é muito diferente daquela de algumas décadas atrás.

O município ganhou novas residências, empresas ampliaram suas atividades, o agronegócio incorporou equipamentos e tecnologias, cooperativas aumentaram suas estruturas e estabelecimentos públicos, como escolas e unidades de saúde, passaram a depender cada vez mais de equipamentos elétricos e eletrônicos.

Dentro das residências, a transformação também foi significativa.

Mesmo com eletrodomésticos cada vez mais eficientes, atualmente existem muito mais equipamentos ligados simultaneamente. Geladeiras, freezers, computadores, televisores, chuveiros, fornos elétricos, máquinas de lavar, sistemas de segurança e, principalmente durante os períodos de calor, aparelhos de ar-condicionado fazem parte da realidade de milhares de famílias.

Isso significa que eficiência energética não necessariamente representa redução da demanda total de uma cidade.

Não basta produzir energia

Para entender o problema é necessário compreender, de maneira simples, como funciona o sistema elétrico.

A energia produzida nas usinas percorre linhas de transmissão até chegar às subestações. Nessas instalações, a tensão é transformada para posteriormente seguir pelas redes de distribuição até chegar às cidades, bairros, propriedades rurais, empresas e residências.

Subestações, transformadores, alimentadores, cabos e demais equipamentos possuem capacidades determinadas.

 

Por isso, conforme uma cidade cresce, sua infraestrutura elétrica também precisa ser constantemente avaliada, modernizada e, quando necessário, ampliada.

A própria Copel vem realizando investimentos dessa natureza no Paraná. Em julho deste ano, a companhia informou ter investido mais de R$ 160 milhões em sete projetos de modernização e reforço de subestações, destacando que um dos objetivos é aumentar a capacidade operacional para que a infraestrutura acompanhe o desenvolvimento econômico e o crescimento da demanda por energia.

Recentemente, a empresa também inaugurou uma subestação de 34,5 kV em São Pedro do Paraná. Segundo a Copel, a estrutura foi implantada justamente para ampliar a capacidade de atendimento em uma região onde o consumo apresenta crescimento significativo.

E Campina da Lagoa?

É justamente nesse ponto que surge uma série de perguntas.

  • Qual é a capacidade atualmente instalada na subestação que atende Campina da Lagoa?
  • Qual é o consumo registrado nos horários de maior demanda?
  • Quanto da capacidade disponível já está sendo utilizada?
  • Existe margem suficiente para atender o crescimento de residências, empresas, cooperativas, propriedades rurais e novos empreendimentos?
  • Quais ampliações e modernizações foram realizadas nos últimos anos?
  • E quais investimentos estão previstos para os próximos cinco ou dez anos?

 

São informações técnicas que podem ajudar a população a compreender se existe ou não relação entre o crescimento da demanda e os problemas observados no fornecimento.

 

Quedas não significam necessariamente sobrecarga

 

É importante destacar que não é possível afirmar, sem dados técnicos, que as interrupções registradas em Campina da Lagoa sejam provocadas pela capacidade da subestação ou por eventual sobrecarga do sistema.

 

Existem diversas causas possíveis.

 

Temporais, raios, árvores atingindo a rede, acidentes envolvendo postes, problemas em isoladores, defeitos em equipamentos, manutenção, atuação dos sistemas de proteção e ocorrências nas linhas responsáveis pelo abastecimento da região também podem provocar interrupções.

 

Da mesma forma, uma instalação ser antiga não significa necessariamente que esteja tecnicamente ultrapassada.

 

Subestações podem passar por substituição de transformadores, equipamentos de proteção, automação e ampliações ao longo dos anos.

 

Por isso, mais importante que saber apenas a idade da estrutura é conhecer sua capacidade atual, a demanda registrada e a margem existente para crescimento.

 

Problema já foi discutido em Campina da Lagoa

 

A preocupação da população com a qualidade do fornecimento não é nova.

 

Em março de 2025, uma audiência pública realizada na Casa da Cultura de Campina da Lagoa discutiu especificamente as oscilações e quedas de energia no município.

Segundo informações divulgadas pela Prefeitura na época, aproximadamente 45 pessoas participaram do encontro, que contou também com representante da Copel. As reclamações da população foram apresentadas e foram discutidas propostas para melhorar a estabilidade do serviço.

Mais de um ano depois, entretanto, relatos de interrupções e oscilações continuam fazendo parte das reclamações de consumidores.

Discussão chegou ao Senado

O problema também não está restrito a Campina da Lagoa.

Em maio deste ano, a Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado Federal realizou audiência pública para discutir as constantes quedas e oscilações no fornecimento de energia elétrica no Paraná.

 

Participaram representantes da Copel Distribuição, Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e Secretaria Nacional do Consumidor.

 

Entre os temas debatidos estavam a continuidade do serviço, fiscalização e os impactos das interrupções para consumidores e atividades produtivas.

 

Qualidade não significa apenas ter energia

 

Outro ponto importante é que qualidade do fornecimento não pode ser analisada somente verificando se existe ou não energia na tomada.

 

A ANEEL acompanha indicadores relacionados à continuidade do serviço, entre eles DEC e FEC.

 

De maneira simplificada, esses indicadores ajudam a medir por quanto tempo e quantas vezes os consumidores ficam sem energia.

 

A regulação também estabelece parâmetros relacionados à qualidade da tensão fornecida.

 

Isso é especialmente importante diante dos relatos de consumidores sobre oscilações.

 

Quando a tensão apresenta problemas, equipamentos eletrônicos, motores, sistemas de refrigeração e máquinas podem ser afetados mesmo sem ocorrer uma interrupção completa do fornecimento.

 

Energia virou infraestrutura estratégica

Para uma cidade que pretende crescer economicamente, energia elétrica deixou há muito tempo de significar apenas iluminação.

Uma cooperativa que amplia sua estrutura precisa de energia.

Uma indústria que pretende se instalar no município precisa saber se existe capacidade elétrica disponível.

Produtores rurais utilizam motores, bombas, sistemas de refrigeração, aviários, equipamentos de ordenha, secadores e diversas tecnologias dependentes de eletricidade.

Supermercados precisam manter câmaras frias.

Postos de saúde dependem de equipamentos, computadores e refrigeração.

Escolas utilizam tecnologia e climatização.

E novos loteamentos representam centenas de novos consumidores conectados à rede.

Por isso, planejamento energético também é planejamento de desenvolvimento econômico.

A pergunta que precisa ser respondida

 

O debate sobre energia elétrica em Campina da Lagoa precisa avançar para além da reclamação registrada depois de cada nova queda.

A questão central é descobrir se o sistema possui estrutura suficiente para atender a realidade atual e, principalmente, o crescimento esperado para os próximos anos.

 Para isso, são necessários números.

·       Capacidade instalada.

·       Pico de demanda.

·       Margem disponível.

·       Número e duração das interrupções.

·       Principais causas das ocorrências.

·       Investimentos realizados.

·       E planejamento para os próximos anos.

 

O Portal O Vale considera importante que essas informações sejam apresentadas de forma transparente à população e pretende encaminhar os questionamentos à Copel.

A resposta poderá esclarecer se as ocorrências estão relacionadas predominantemente a fatores externos e pontuais ou se existe necessidade de reforço estrutural no sistema que atende o município.

A pergunta, portanto, permanece:

Campina da Lagoa cresceu. A infraestrutura elétrica cresceu na mesma proporção?

 

A resposta não deve ser baseada em especulação.

Deve vir dos dados.

 
 
 
 
     
 

 
 
     
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