Em ocorrências distintas, motorista de transporte escolar foi
preso e menina de 10 anos denunciou abuso dentro de uma loja. Casos reforçam a
necessidade de diálogo, proteção e denúncia.
Duas denúncias de violência sexual contra crianças,
registradas em Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná, entre segunda-feira
(26) e terça-feira (27), chamam a atenção para um problema grave e que muitas
vezes permanece escondido dentro da sociedade: a violência contra crianças e
adolescentes.
As ocorrências aconteceram em situações diferentes, uma
envolvendo um motorista de transporte escolar e outra dentro de um
estabelecimento comercial no centro da cidade. Em ambos os casos, as vítimas
procuraram suas mães para contar o que havia acontecido.
Motorista de transporte escolar é preso
Na primeira ocorrência, um empresário do ramo de transporte
escolar foi preso suspeito de praticar atos de natureza sexual contra uma
criança.
Segundo as informações divulgadas, o homem teria retornado à
residência da vítima após deixá-la em casa, sabendo que ela estava sozinha. Com
a justificativa de buscar informações sobre o endereço de outro estudante,
pediu um copo de água e teria aproveitado a situação para cometer o abuso.
A criança contou o ocorrido à mãe, e familiares procuraram as
autoridades.
O suspeito foi localizado e preso. Conforme as informações
policiais divulgadas, ele já era investigado por outra denúncia de violência
sexual envolvendo uma criança de 10 anos, registrada há aproximadamente dois
anos.
A Polícia Civil investiga o caso.
Menina de 10 anos denuncia abuso dentro de loja
Já na tarde de terça-feira (27), uma menina de 10 anos
relatou ter sido vítima de importunação sexual enquanto acompanhava a mãe e o
irmão de 4 anos em uma loja na região central de Campo Mourão.
De acordo com o relato, um homem teria se aproximado da
criança e simulado deixar uma chave cair. Ao se abaixar para recolher o objeto,
teria tocado de maneira inadequada nas nádegas da menina.
A criança procurou imediatamente a mãe e contou o ocorrido.
Segundo a denúncia, o suspeito ainda teria afirmado ser
advogado e ameaçado processar a família caso fosse denunciado.
A Polícia Militar realizou buscas, mas o homem não foi
localizado naquele momento. Imagens de câmeras de segurança estão entre os
elementos que poderão auxiliar na identificação do suspeito.
Violência sexual contra crianças é mais comum do que muitos
imaginam
Os dois episódios, embora não tenham relação conhecida entre
si, revelam uma preocupação que precisa ser discutida dentro de casa, nas
escolas e em toda a comunidade.
A violência sexual contra crianças não acontece apenas em
lugares isolados ou praticada por desconhecidos. Ela pode ocorrer em ambientes
familiares, no trajeto escolar, em estabelecimentos comerciais e até mesmo
dentro da própria residência.
Os números nacionais mostram a gravidade da situação.
VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E
ADOLESCENTES NO BRASIL
Foram 58 mil denúncias aproximadas no primeiro
semestre de 2026 ou seja, uma média de 322 denúncias por dia, neste
período. Dados do Disque 100 divulgados pela TV Brasil em agosto de 2026. Os
registros não representam necessariamente o total de crimes ocorridos.
Notícias
Os registros reforçam a dimensão do problema, que pode ser
ainda maior devido à subnotificação, quando vítimas deixam de contar o que
sofreram por medo, vergonha ou ameaças.
Crianças precisam ser ouvidas e protegidas
Um ponto importante nas duas ocorrências de Campo Mourão é
que as crianças conseguiram relatar o que aconteceu às suas mães.
Esse comportamento precisa ser incentivado.
Pais e responsáveis devem conversar com seus filhos, ensinar
sobre os limites do próprio corpo e explicar que nenhum adulto tem o direito de
praticar contatos íntimos inadequados, independentemente de sua profissão,
posição social ou proximidade com a família.
Também é fundamental observar mudanças repentinas de
comportamento, medo de determinadas pessoas e resistência em frequentar locais
que antes faziam parte da rotina.
Quando uma criança relata uma situação de violência, a
primeira atitude deve ser acolher, ouvir e proteger. Nunca culpá-la ou
desacreditar seu relato.
Suspeitas podem ser comunicadas à Polícia Civil, ao Conselho
Tutelar ou pelo Disque Direitos Humanos, no número 100, que funciona
gratuitamente, 24 horas por dia, inclusive com denúncias anônimas. Em situações
de emergência, o telefone da Polícia Militar é 190.
As duas ocorrências seguem sob investigação. A identidade das
vítimas é preservada, e os suspeitos têm direito à presunção de inocência até
eventual condenação judicial.
O alerta que fica é claro: o silêncio favorece a continuidade
da violência. Ouvir uma criança, acreditar na importância do seu relato e
procurar ajuda pode impedir que novos abusos aconteçam.
*Portal O Vale — Com informações de Tásabendo, Campo Mourão
Agora, Portal Tarobá e dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.